Espanha
Enquanto isto, na sala do Professores do Centro Educacional Gilberto Freire...
Elis, Laila, Quel, Sávio, Mario e Gina são colegas de trabalho e amigos especiais. Eles fazem parte de um Programa Social e atuam como jovens educadores. São monitores e professores do Projeto Educacional Gilberto Freire, que capacita jovens do Ensino Público para ingressarem nas Universidades.
Este Projeto é parceiro em projetos educacionais de inclusão social, principalmente quanto a questão racial, que incentivam a cidadania do negro, afro descendente e indígena.
Isto não quer dizer que estes seis jovens sejam extremistas. E não deveriam, afinal três deles não participam desta corrente por serem negros ou estarem incluídos nos índices de família de baixa renda e sim por questão de consciência social.
Já Laila é uma nipo-brasileira, estudante de Odontologia e entrou no Projeto por causa de Quel, sua melhor amiga, que descende de italianos e estuda Entomologia. Os únicos negros desta relação são Sávio e Gina.
Hoje a conversa na sala dos professores está agitada. Afinal eles estão recordando as férias escolares.
E como estes jovens aproveitaram estas férias!
Elis, a mais agitada da turma, professora de Cidadania, foi quem iniciou a conversa.
- Quando resolvemos conhecer a Espanha, pensei em pesquisar sua influencia em nossas vidas aqui no Brasil...
Laila revirou seus olhos e replicou:
- Então, como sempre, você resolveu remontar todo o processo histórico, certo?
Quel, a professora de Informática, retrucou:
- E você tinha dúvidas quanto a isto, baby?
Todos caíram na risada, afinal, sabedores dos costumes da amiga, sabiam que por certo ela passara horas afio, investigando livros e revirando a internet atrás de dados que compensasse sua pesquisa.
Foram interrompidos por ela:
- Já que acabaram as brincadeiras, prossigo. Realmente não é preciso irmos longe. Porém, já que vocês tocaram no assunto, existem algumas curiosidades envolvendo o Brasil e a Espanha.
Sávio, professor de Inglês, aparteou sarcástico:
- E por que você não contou tudo o que encontrou antes de viajarmos? Então eu optaria por aproveitar meu sagrado dinheirinho e viajaria para Cancun!
Laila riu do aparente desespero do amigo e disse:
- E deixaria nos viajarmos sós para a Europa?
Sávio beliscou o rosto rosado de Laila e respondeu:
- Não, vocês viajariam comigo!
- E ela pesquisaria toda a América Central. Esqueça, você não percebe Sávio, como ela é detalhista?
- Perceber ele até percebe Laila, mas finge que não vê os defeitos dela. – Mario piscou para o amigo, enquanto Gina disfarçava a vontade de rir da amiga, bebericando seu café.
- Vamos ouvi-la, Ela sempre fala o que quer...- Laila sorriu para a amiga. – “Continue Élis”.
- Obrigada amiga. Na verdade o Brasil foi colônia da Espanha.
- Onde você descobriu isto “mina”?
- Ora Sávio, num dos quadros de Velásquez...
- O mesmo que pintou o Banho de Vênus e As Meninas? – perguntou Quel.
- Se estamos falando da Espanha, claro que é. – respondeu Elis, sorrindo do susto da amiga.
Os amigos sorriram do embaraço da Professora de Informática, mas foram interrompidos pela curiosidade de Mário.
- Que quadro é este, meninas?
- “O Conde-Duque de Olivares”. Foi pintado quando o nobre, que era ligado ao Governo do Brasil, enviou uma esquadra, em 1625, para expulsar os holandeses da Bahia.
- Caramba Élis, você descobre cada uma!
Agora foi Gina quem não entendeu o comentário de Laila.
- Caramba digo eu, Laila. O que vocês faziam no Ginásio que não aprenderam isto?
- Namorávamos. – responderam Sávio e Mário, rindo das meninas.
- Pelo visto a Gina fez a lição de casa hoje! – Laila achou graça da irritação da amiga.
Gina, a professora de Matemática, continuou indiferente ao aparte da outra:
- Os carinhas espanhóis armaram uma cilada para cima de Bartolomeu Bueno de Ribeira, que era de uma família grande e que tinha muita influencia com os paulistas. Os europeus, pouco informados sobre o fato, pensavam com isto, que com o tempo poderiam reincorporar São Paulo a Coroa de Castela.
- Gina, não é que você sabe mesmo!
- Não me amole, Laila.
- Gina, com você falando, lembrei - me de um quadro de Oscar Pereira da Silva, que retrata Bartolomeu Bueno Ribeira, à porta do Mosteiro de São Bento. Ele está recusando a coroa de São Paulo. É bárbaro!
- Isto mesmo Laila. De fato este quadro que você falou é lindo. São Paulo chamava-se nesta época Vila São Paulo. A expedição do Conde - Duque de Olivares aconteceu em 1625, já a aclamação de Bartolomeu Bueno Ribeira ocorreu em 1640. Bartolomeu era um nobre e tinha como genros, fidalgos espanhóis.
- E eu pensando que a baby é que ia arrebentar com a reportagem histórica!
- Não amole Quel. – replicou a japonesinha charmosa.
- Sei... – Elis fez um muxoxo, implicando com a forma de tratamento singela dirigida a sua pessoa.
- Mais existem outras informações sobre a Espanha, por certo. Visto que vocês enfiaram seus narizes em tudo quanto é dado sobre a terra da siesta! – Sávio retrucou brincando com um cacho dos cabelos de Elis.
- Laila, eu só acreditei nesta história de “siesta” quando chegamos lá! É de fato muito interessante. O povo trabalha e vive como qualquer pessoa, porém quando chega a hora do almoço, lojas, fábricas e residências param para a ‘siesta’. E ficam fechados por 3 horas. Alguns turistas europeus que conhecemos no hotel, nos disseram que na década de 70 era todo o comércio que aderia a ‘siesta’. Hoje já não é assim, porém o comércio quando retorna funciona até depois das 20 horas.
Mário parou de falar e suspirou, saudoso.
- Mário, e os ‘paseos’? Quando você pensa que está só, os bancos das praças, beira das calçadas e banquetas dos bares são tomadas pela multidão. Jovens, velhos e crianças saem para o ‘paseo’ antes do jantar, onde saboreiam ‘gaspacho, ‘tortillas’, sangria e outras iguarias. Alguns leem nas calçadas e cumprimentam os transeuntes de forma gentil, como se conhecessem a todos, parecendo ter todo o tempo do mundo.
Quel sorriu e interrompeu Sávio.
- Foi aí que paguei o maior mico da minha vida! Liguei para o serviço de quarto para pedir um lanche. Queria enganar meu estomago antes de encontra-los para o jantar. E como o povo estava retornando do ‘paseo’ demorei a ser atendida. Reclamei e adivinhem?
- Não enrola Quel, conta logo!
- Aí está a chata...Bem voltemos. Depois de reclamar, fui informada do costume e me desculpei, dizendo ter ficado embaraçada. Ouvi uma risadinha estranha no fundo e a promessa que seria atendida imediatamente. E de fato foi o que aconteceu!
- Não acredito! – Suspirou exasperada Elis.
Gina, Mário, Elis e Sávio caíram na risada.
- Ei! Acho que perdi a piada! – Indignou-se Laila.
Sávio veio em seu socorro.
- Embarazo para os espanhóis é gravidez.
Desta vez todos gargalharam.
- Bem, voltemos ao assunto principal. Sabe o que o Bilbao Viscaya, o Santander e a Telefônica tem em comum?
- Além de desrespeitar os clientes...São ricos. – Respondeu Laila, gerando uma nova onde de gargalhada na sala.
- A Telefônica pode ser, quanto aos outros, não conheço bem. Mas o que eles tem em comum? – Perguntou Mário a Elis.
- São espanhóis. Segundo estudos recentes estas empresas fazem parte do bolo econômico, pois participam com grande parte no desenvolvimento financeiro atual da Espanha.
- Hoje as mulheres espanholas optam e participam ativamente em muitas empresas. Familiares ou não. – Foi Laila quem respondeu.
- Realmente! Quando nos dividimos, no meio da viagem, fomos a uma vinícola, que é administrada por uma mulher. Fomos ciceroneados por ela, que é dona do lugar, nos atendeu com boa vontade e nos serviu muitos vinhos. Uma delicia.
- Infelizmente Gina nós não fomos a esta vinícola, mas visitamos inúmeros estabelecimentos artísticos.
- Realmente Quel, tudo é muito lindo. Ir a esquina e olhar qualquer um daqueles prédios antigos já é um banho de cultura!
- Isto mesmo Gina. As arcadas dos museus, prédios públicos, civis e religiosos são maravilhosas. As portadas decoradas em relevo são um marco extremamente livre e lindo da arquitetura espanhola. A decoração da Escadaria da Casa Milá por si só é belíssima. A Casa Milá em si, o Parque Güell e a Igreja da Sagrada Família, são obras primas.
- Obras de Antonio Gaudi, que viveu de 1852 a 1926. um artista cuja a obra por si só é o seu maior elogio.
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